A ti, meu amor

Filha,

Estás em mim há 35 semanas… e só nós sabemos o amor que nos une.

Só tu sabes o que a mãe sentiu quando viu aquele tão esperado risquinho extra no teste de gravidez. Só tu sabes a felicidade – misturada com medo – que invadiu o meu coração naquela manhã. Só tu sabes a emoção que senti quando ouvi o teu coração pela primeira vez… Só tu sabes o que pedi para te aguentares na barriguinha da mãe. Só tu sabes quantas vezes me benzi e pedi proteção divina para que aquelas semanas iniciais passassem e deixasse de sentir aquele sufoco.

Todos os dias eram de medo e de angústia… tu sabes porquê! Pouca gente sabe… mas tu sabes!

Só nós vimos, em direto, o teu pai chorar “como um menino” quando te viu e ouviu pela primeira vez. Tu sabes há quanto tempo ele sonhava ter-te.

Não estás dentro dele mas tu também sabes o que ele sente quando tem que ficar à porta da clínica, à porta do centro de saúde, à porta do hospital. Mete dó mas não podemos fazer nada! A pandemia roubou-nos a presença dele em todos estes momentos importantes… mas nós vimos o olhar brilhante e a bolha de amor em que ele estava naquelas duas ecografias 5D em que pôde ver-te. Pede aí em cima que ele possa acompanhar-nos no parto.

A fase inicial da gravidez foi tensa. O sono excessivo, os enjoos, as quebras de açúcar, o mal-estar, a falta de energia, as dores terríveis na lombar, na virilha e no fundo da barriga não deixaram a mãe continuar a fazer um dia-a-dia normal mas tu sempre estiveste em primeiro lugar, meu amor!

Às 17 semanas descobrimos que eras uma menina. Não coubemos em nós de felicidade! A madrinha e os primos ajudaram a fazer uma revelação à tua altura. Ficas-lhes a dever uma Julieta.

O segundo trimestre foi mais levezinho, embora tenha sido marcado pelas muitas contrações de treinamento – que me levaram a ter de descansar um bocadinho mais – e a sobrecarregar o pai nas lides domésticas. Tenho-te a dizer que o papá revelou ser um “homem-a-dias” de excelência. E até nem leva caro!

Perto das 20 semanas, deitada no sofá, senti-te pela primeira vez. Por momentos duvidei… mas repetiste o feito e a mãe teve a certeza que eras tu. Aquela tremedeira no meu ventre ficou-me marcada. Tu estavas mesmo ali comigo! Aí senti que te dei a mão para nunca mais te largar.

As hipoglicemias, o cansaço extremo, as insónias, o mal-estar repentino têm sido rotina neste último trimestre… mas mantém-te tranquila que por ti aguento tudo bebé! Só quero que estejas bem e que não saias já do forninho… está frio e aí tens sempre o A/C ligado no máximo!

Quanto aos quilinhos a mais que trouxeste à mãe… a gente depois acerta contas menina Julieta!

Vou ter saudades de te sentir só minha, de não ter que te dividir, de te ver espreguiçar nas ecografias, de te ver reagir aos beijinhos do pai, de assistir às partys que dás na barriga na mãe. (Aproveita aí que cá pagas multa e nem bufas!)

Que tenhamos uma hora pequenina e que nasças para ser a menina mais feliz das redondezas. Eu, o pai e a mimi estamos desejosos por te receber. De tudo faremos para te dar uma vida confortável e um lar cheio de amor.

Até já bebé arco-íris. Cá te esperamos para dar mais cor à nossa vida!

PS: vê se és mais cuidadosa que a mãe precisa de chegar ao final da gravidez com as costelas todas intactas. Obrigada pela atenção.

Com amor,

A tua mamã.

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