Autorretrato

Sou de gargalhada fácil. De piada sempre na ponta da língua.

O meu coração está na boca.

Espontânea e impulsiva.

Distraída.

Positiva. Às vezes demais.

Sonhadora.

Meia disléxica.

Um nadinha surda!

Não sei falar baixo.

Em tempos fui extremamente tranquila mas passou-me. [Não fosse eu Carneiro].

Não sei ser formal. Em certas situações tenho que ser mas facilmente se percebe o esforço.

Medricas… muito medricas!

Solidária.

Muitas vezes ingénua.

Dorminhoca? Dorminhoca é favor!

Intolerante à dor.

Tagarela! Adoro conversar. De ouvir e contar histórias.

Amante de roupa e calçado confortável.

Gosto de cozinhar! Considero-me uma engenhoca na cozinha! Umas vezes corre bem, outras nem por isso!

Sou uma vergonha a fazer bolos.

Adoro comer comida saudável e experimentar comida internacional.

Não gosto de cerveja nem de vinho… mas venha de lá a sangria!

Gosto de ler.

E de escrever? Não imaginam o quanto me faz bem.

Sou apreciadora de tecnologias e de redes sociais.

Boa ouvinte.

Sou de abraços apertados e de lamechices.

Odeio falsos moralismos.

A mentira enfurece-me!

Muito observadora.

Chorona.

Gosto de animais e falo com a minha cadela. [alguns ficarão preocupados… serão sinais de demência? Ninguém sabe. ahahahah]

Não gosto de surpresas. Fico danada! [mas já tive algumas inesquecíveis]

Tenho uma relação incrível com o sofá, a mantinha polar e a televisão aos sábados à noite.

Não gosto de cinema nem de séries. Mas colo à televisão quando se trata de documentários.

Sou muito boazinha… mas experimentem mexer com a minha família!

Sou descordenada. Tudo o que seja ‘pra lá de “macarena” é um desafio.

Sou desastrada.

Pessoas “politicamente corretas” irritam-me profundamente!

Adoro fotografar mas odeio ser fotografada.

Não sei jogar futebol. Não consigo, de maneira nenhuma, acertar na bola! Sempre que tento ponho a plateia aos pinotes de tanto rir!

Pareço certinha mas gosto de hip-hop e de letras rebeldes.

Considero-me sortuda. Já tive sorte no jogo e continuo a ter no amor!

E mais? Digam-me vocês!

Um mês.

Faz hoje um mês que fui operada!

Depois de 28 anos (quase 29) de luta contra a obesidade fiz um bypass-gástrico.

O peso não descia, a balança todos os dias me dava más notícias, o corpo começava a ressentir-se!

Os dias de dor começaram a ser cada vez menos espaçados. Houveram dias terríveis em que mal conseguia colocar os pés no chão de tanta dor que sentia.  Apesar disso, lá me levantava, aquecia os motores e lá ia trabalhar. Uns dias doíam os pés, outros as costas, outros as pernas, outros a anca, outros os joelhos e ainda outros que TUDO me doía.

Durante esse tempo fui a queixosa, “a fraquinha”, a preguiçosa e sei lá eu que mais… Mas a dor era minha e era eu que me tinha que me debater com ela. O que me restou?  Fazer “orelhas moucas”, ter paciência e esperar que o telefone tocasse …

E TOCOU! Apesar de dois anos de espera… o dia estava perto.

No dia 7 de janeiro fui operada no hospital de Guimarães pelo maravilhoso Dr. Washington da Costa.  Nesse dia, o medo tomou conta de mim… mas fui com medo mesmo. Não me restavam outras opções!

[A Cátia Marina que tem fobia agulhas, que aos 20 e tal anos vai com o pai à vacina, que odeia hospitais e tudo o que tenha a ver com medicina, respirou fundo, reconheceu que tinha que ser rapidamente ajudada, apesar de todos os medos, e foi ao bloco.]

O acordar foi difícil, os três ou quatro dias seguintes foram de fortes dores, confesso. Agora sinto-me bem, aos poucos vou começando a fazer a minha vida normalmente e… JÁ PASSOU UM MÊS.

Estou a fazer dieta líquida há um mês e assim estarei até dia 19 de fevereiro (data da consulta). Se é fácil? Não! De todo! Contudo faz parte da luta!

Tenho a dizer-vos que neste momento o foco está na minha saúde, que tenho cumprido escrupulosamente todas as indicações médicas e que tenho enfrentado “o touro pelos cornos”. Até cozinho para o marido!

Mas vou contar-vos um segredo! Isto é “tudo muito bonito” mas devo confessar-vos que penso em frango e em pãozinho torrado com manteiga, desde que me levanto até que me deito… Mas xiuuuuuu!

Hoje apertei o meu cinto no último buraco, como no dia do internamento, e estamos assim:

 

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Estou feliz e é isso!