O cérebro dos nossos governantes também ardeu em Pedrógão?

pedrograo

Certamente!

Já é sabido que sou uma rapariga bem disposta mas tenho-vos a dizer que coisas destas me fazem ficar PROFUNDAMENTE mal disposta.

Prestes a fazer um ano da tragédia em Pedrógão Grande, o Jornal de Notícias foi à procura de um heróis do dia 17 de junho de 2017.

Rui Rosinha é um homem de 40 anos como tantos outros. Jovem. Valente. Altruísta. Salvou quem pôde e como pôde mas acabou por ficar gravemente ferido. O amor pelo próximo valeu-lhe quase três meses em coma, 14 operações, lesões que o irão acompanhar a vida toda e 85% de incapacidade.

Recebe 267 euros mensais de pensão de invalidez. Sim, duzentos e sessenta e sete euros! Não chega a metade um ordenado mínimo. Isto envergonha-me! Que país é este? O que andarão a fazer os nossos governantes? A dormir… é uma das hipóteses.

É esta a recompensa que damos a um homem que teve a bravura de lutar contra aquele monstro que devorou tudo por onde passou?  Morreram 64 pessoas. Não morreram mais porque apesar de todas as injustiças houveram homens e mulheres que honraram, uma vez mais, o título de “soldados da paz”.

Passou um ano, já ninguém se lembra do trabalho dos bombeiros. Já ninguém se lembra dos tantos “Ruis Rosinhas” que combateram quilómetros de fogo que pareciam não ter fim. Horas e dias a fio. Que protegeram o que puderam quando tudo falhou. Os meios, as comunicações, as orientações e sei lá eu que mais.

Toda a gente investiga o que correu mal. Toda a gente investe em sistemas de comunicação menos falíveis. Mas e meios para os bombeiros? Os bombeiros não têm dispositivos de combate adequados. NEM FARDAMENTO devido. E isto é muito muito grave.

Deixam as suas famílias. Arriscam a vida. Estão dias sem dar notícias a quem quer que seja. Protegem o que não é seu. Fazem trabalho voluntário. Comem massa com massa. [quando comem] E não têm sequer direito às ferramentas básicas de trabalho?

Enquanto assistimos a isto, todos os verões sem excepção, compramos submarinos e vemos uns quantos a meter uns milhões do Estado “para o esquerdo” sem que nada aconteça.

Até quando vamos pagar balúrdios e patrocinar viagens, carros topos de gama, motoristas, casas luxuosas à classe política deste país sabendo que quem esteve no terreno, quem lutou por nós, quem “deu o corpo ao manifesto” na hora da verdade vive com apenas 267 euros por mês?

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Escrever.

escrever.jpg

 

Gosto de escrever. De contar histórias. De escrever sobre aquilo que vivo, sobre aquilo que sinto, sobre as coisas que faço.

Escrever é para mim uma terapia. Nos dias mais cinzentos, ligo o computador e descarrego as minhas inquietações no teclado. 

A oralidade não é – nem nunca foi – o meu forte. A escrever consigo exprimir-me sempre melhor.

Não sei quando começou este gosto pela escrita mas creio que muito cedo.

Ainda na escola primária, ofereceram-me um diário. Comecei a escrever sobre os meus dias e as minhas preocupações. Era tudo top secret e devidamente fechado à chave! Escrevi diários desde aí e até à minha adolescência.

No início do secundário os meus pais ofereceram-me um computador. Lembro-me da surpresa que foi quando cheguei a casa e vi um computador novinho em folha em cima da minha secretária. Fiquei tão feliz!

Era um computador fixo, em tons de cinzento e com um monitor bastante moderno para a altura. Desde aí, comecei a escrever com mais regularidade. Fui escrevendo e guardando os ficheiros em pastas dentro de pastas. Guardando, acumulando e apagando aqueles textos que não queria que ninguém lesse de maneira nenhuma. [Hoje tenho pena de ter perdido alguns].

Nunca fui muito segura. Nunca achei que escrevesse assim tão bem.

Um dia, na faculdade, durante uma aula de voz confessei a uma terapeuta da fala que não tinha grande jeito para falar. Acabei por lhe confidenciar que escrevia muito mas que não tinha coragem de mostrar a ninguém. Depois de ver umas linhas escritas por mim, encorajou-me a pensar num blogue. O blogue chegou anos depois, mas chegou!

O blogue ajudou-me a ganhar mais confiança nesse aspecto porque fui tendo um feedback positivo. [Têm-me abordado de uma forma tão querida, tão simpática! Mas eu ainda fico meia corada de tão envergonhada)

Escrever acalma-me, ajuda-me a pensar melhor sobre as coisas, a relaxar.

Escrever dá-me prazer e enquanto assim for, escreverei. Se vos interessa o que escrevo, não sei. Mas enquanto me fizer bem contem com mais textos, mais desabafos e mais “cenas” desta rapariga bem disposta.