Escolher morrer.

viver depois de ti

Quem me conhece sabe que não sou propriamente uma amante de cinema. Acho sempre que os livros são melhores que os filmes. Mas às vezes lá vejo um ou outro.

Há uns tempos acabei por ver um. Pouco tempo depois revi-o.

O filme chama-se “Viver depois de ti” e é fenomenal. Envolvi-me tanto na história que chorei.  Emocionei-me de tal maneira que o nó na garganta só passou horas depois.

O filme conta a história de Will Traynor, um jovem super ativo, amante de desportos radiciais, que acaba por ter um acidente muito grave e que se vê preso a uma cadeira de rodas. [Sem qualquer hipótese de recuperação]

Uma vez que ele apenas mexe a cabeça e alguns dedos da mão, a família decide contratar alguém que lhe possa fazer companhia e o ajude nas necessidades básicas. A escolhida é Louisa Clark.

Louisa acaba de ficar desempregada e aceita o desafio… e que desafio! O jovem é arrogante, autoritário e maltrata a cuidadora em boa parte do filme. Louisa tenta aguentar já que precisa muito de trabalhar.

Depois de muita insistência por parte dela, Will rende-se e os dois desenvolvem uma amizade inspiradora que depressa passa a uma linda história de amor.

As dores de Will Traynor tornam-se cada dia mais insuportáveis. O plano dele é morrer. Quando Louisa percebe isso luta para lhe mostrar que ainda assim vale a pena viver. Mesmo assim ninguém o demove.

Apesar do país onde vive não o permitir, Will viaja para o estrangeiro e acaba por conseguir o que mais quer: a Eutanásia. Morre “feliz” ao lado dos pais e de Louisa.

Este filme obriga-nos a reflectir sobre questões muito sérias.

Nunca passei por uma situação-limite e não consigo dizer se sou contra ou a favor da Eutanásia mas até que ponto uma pessoa pode ser obrigada a viver agarrada a uma cadeira de rodas, totalmente dependente dos outros, e dominada pela dor?

Will vive dependente, desesperado de dor. Mesmo assim, apesar de ficção, nesta situação, eu não queria que ele morresse. Estarei a ser egoísta? Não sei. Talvez a maturidade e a experiência de vida me tragam respostas.

Sinto que a Eutanásia pode ser um erro incorregível, num mundo que tem tanta sede de conhecimento e que descobre coisas novas todos os dias. A cura pode não demorar a ser encontrada e isso corrói-me.

Só sei que a minha fé me faz acreditar que a esperança é a última a morrer. Mesmo assim não consigo ter uma opinião formada sobre este assunto pois é “uma faca de dois gumes”. Sou só eu?

Qual é a vossa opinião?

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Amamentar em público

amamentacao

Há uns dias a revista Visão publicou esta fotografia que me tocou especialmente. A fotografia de uma mãe a amamentar o filho a meio de um exame de acesso à universidade.

A mãe chama-se Jahan Taab, tem 25 anos, é afegã e é uma mulher como nós. Tem um sonho. Como muitas de nós. Sonha estudar ciências sociais.

A meio da prova de acesso foi interrompida pelo filho de dois meses e meio. Jahan levantou-se da mesa onde estava sentada e teve uma atitude que surpreendeu toda a gente: sentou-se no chão, continuou a responder ao exame, enquanto alimentava o seu bebé.

O professor vigilante fotografou, publicou no Facebook com a descrição: “Uma criança nos braços, uma caneta na mão e um futuro cheio de medo mas também de esperança”.

Se isto se passasse num qualquer país ocidental a descrição provavelmente seria muito diferente.

Além disso, o bebé não estaria na sala. Era um impecilho. Depois colocar a maminha de fora para ALIMENTAR um bebé seria um escândalo e incomodaria muita gente. Na fotografia ninguém se parece importar.

Esta imagem devia ser esfregada na cara dos países ocidentais que se acham muito evoluídos e que depois acham “de mau tom”, um “atentado ao pudor”, um “ato exibicionista”, alimentar um bebé em público!

O leite materno é o alimento mais saudável que uma mãe pode dar a um filho. Está sempre pronto a servir e à temperatura ideal. Privar uma criança disto não é, no mínimo, diabólico? Ninguém tem a sensibilidade de perceber isto?

As campanhas a favor da amamentação multiplicam-se com o passar dos anos, os hospitais estão inundados de cartazes, muitos deles criaram bancos de leite materno… Mesmo assim há ainda quem se choque – em pleno ano 2018.

Lamentável!