Os 92 do patriarca

 

avô Eduardo

 

 

 

Hoje o patriarca da família faz anos. 92! Há mais de 20 que diz que não chega à Páscoa.

Criou dez filhos, todos eles com problemas (no botão do volume). O avô “ganchinho” nunca os conseguiu consertar mas em momento algum os deixou mal quando a avaria era na bicicleta ou na motorizada.

O avô Eduardo foi só o maior e o mais competente “garagista” de bicicletas das redondezas. Quem nunca pegou na “ginga” e foi à Aldeia Nova pôr óleo na corrente ou consertar um furo no pneu?

[Confesso que eu fui poucas… porque primeiro era uma cliente VIP e depois sempre que a “bicla” dava sinais de “desgaste” o avô, numa das muitas idas a Famalicão para ir buscar peças, passava por cá e arranjava-a a custo zero. Quem quer bons avôs, ARRANJA-OS!]

A minha Shimano estava sempre com os pneus em baixo e o meu avô lá remendava, remendava, remendava. Quando não dava mais… Lá vinha ele, na sua motorizada, com uma “câmara de ar” novinha pendurada. No espaço de nada estava tudo consertado e eu em cima da bicicleta outra vez. Ele mandava-me dar “uma voltinha”, certificava-se que estava tudo bem e arrancava rumo à tasquinha do Leal. Depois lá ia para casa trabalhar mais um bocadinho.

Foi assim que ganhou dinheiro boa parte da sua vida para que não faltasse o essencial. Chegaram a ser 14 pessoas à mesa. Ele, a avó, dez filhos e os bisavós.

A avó Deolinda partiu cedo demais. Aos 63. Ela cuidava da casa e dedicava-se a tratar do rancho de filhos.  A nossa Deolinda pôs ao mundo o tio Eduardo, o tio Arnaldo, a tia Fátima, o tio Quim, a tia Olívia, o pai Serafim, o tio António, a tia Margarida, a tia São, o tio Abílio e a tia Laurinda. [Diz o meu avô que “na altura não havia televisão” e que tinham que arranjar ocupação].

Já o avô vivia entre motas e bicicletas.  [Nos tempos livres dedicava-se a fazer boa cerveja, conta o pai Serafim! Passou ao lado de uma grande carreira na Super Bock]. Pouco tempo sobrava para os filhos.

Há uns tempos, com o bisneto Rodrigo ao colo e a lágrima no canto do olho, confidenciou-nos que nunca tinha pegado num bebé tão pequenino. Nunca deu colo aos filhos, segundo ele “antigamente isso ficava a cargo das mães”. “Era a Deolinda que tratava deles todos”. Os pais só tinham que trabalhar para garantir “comidinha na mesa”.

Para que nada faltasse à mesa, um dia o tio António (mais conhecido por tio sexy – leia-se “séééquesi”) resolveu “dar uma mãozinha” ao meu avô na garagem. Em “três tempos” personalizou um assento de uma mota com o bico da foucinha. O avô não achou grande piada, ralhou-lhe e perdeu-se um artista! [Parece que estou a ver… Um assento de mota cheio de buraquinhos, super na moda…não sei qual era o problema. Este meu avô nunca teve um feitio fácil nem sensibilidade para apreciar obras de arte].

Depois dos filhos, ajudou a criar alguns dos netos. Hoje já deve ter perdido a conta aos netos.. e aos bisnetos!  [Eu ajudo! São 18 netos e 16 bisnetos (serão 18 bisnetos em breve. A Anita e a Inês ainda estão no forno)].

Aos 92 já casou boa parte dos netos. Não conseguiu casar dois filhos. Mas isso é outra conversa! [risos]

Ultimamente quando recebe um convite de casamento diz logo que não vai.  Diz que não consegue andar e que já não tem força nas pernas… e de quem é a culpa? É DA MÉDICA DE FAMÍLIA, claramente! A tipa insiste em não lhe dar medicamentos para as pernas “funcionarem”. Acham que se admite?  [Acaba por ir a todos e adora ver a família junta].

Como a idade ” já não perdoa” não sai muito… mas do alto dos seus 92 anos ainda põe a perna em cima de um banco para se calçar e ir lanchar ao café! Fora isso… não sai nem deixa sair! É um mimalho e quer sempre o tio Abílio por perto! O desgraçado se vai ver o jogo de futebol do Gondifelos a 1km de casa há logo birrinha. Valha-nos a paciência do tio Abílio.

O programa diário há muito que é monótono. Cada vez mais. A maior parte do tempo é passado no quarto a ver televisão na companhia dos seus gatinhos.  Naquela casa todos os gatos se chamam “tchinhos” e não se queixam! Podiam ficar revoltados com o nome  (quem não ficaria?) e nunca mais aparecer lá… mas não! Continuam a fazer-lhe companhia e a enrolar-se nas mantas com ele.

Cá fora tem sempre, desde que me lembro, um cão. Se morre um, é sempre substituído por outro… Seja qual for o cão… chama-se sempre “bolinhas”. [Houve por lá um cão muito famoso (entre os meus tios) que se chamava “fadista”… segundo se consta nunca cantou nada e livrou-se do nome “bolinhas”… deve ter ido enganado!]

Em cenário de pandemia está “preso” mas em casa como ele insiste em dizer. Não tem ido ao café. Vê a família pela janela do quarto.

Hoje o tio Abílio que apesar de, segundo o meu avô, ter uma carrada de defeitos e nem o quintal saber cultivar… vai ser, como sempre, o cuidador mais paciente do mundo e vai mimar o avô com o seu almoço preferido. Já me disse que hoje não vai aceitar os habituais serviços de takeaway da família porque quer vestir o avental e fazer “as batatas com bacalhau” como o avô gosta.

Este ano não há festa. O Nuno não vai poder comprar os foguetes. Não haverá o habitual barulho infernal  (típico dos nossos ajuntamentos). Não vai haver comes e bebes. Ninguém vai jogar à malha. Não vão haver beijinhos, nem abraços nem as habituais gargalhadas.  Mas estamos todos, cada um em sua casa, a brindar os 92 do avô!

Parabéns avô ganchinho!

Esta pandemia tirou-me o trabalho, o sossego e fez-me adiar uma série de sonhos.

Fui desafiada pela minha querida Sandra Varandas (coordenadora do site da SIC Notícias) a escrever sobre como estou a viver esta pandemia.

 

Aqui partilho com vocês o que escrevi para o meu site do coração! ❤ Foi um orgulho fazer parte dele!

 

https://sicnoticias.pt/especiais/o-meu-testemunho/2020-04-27-Esta-pandemia-tirou-me-o-trabalho-o-sossego-e-fez-me-adiar-uma-serie-de-sonhos

 

O testemunho de Marina Azevedo, 30 anos.

Vivo em Vila Nova de Famalicão onde já há 313 pessoas infetadas pela covid-19, algumas delas vivem na minha freguesia – Gondifelos.

Esta pandemia tirou-me o trabalho, o sossego e fez-me adiar uma série de sonhos. Não deixou cumprir a tradição de Páscoa da minha família. Não permitiu sequer que festejasse dignamente a minha entrada nos -intas.

A minha casa é dividida em três. Num dos lados vivem os meus pais com a minha irmã, noutro a minha avó e o meu avô, noutro vivo eu e o meu marido.

O restaurante onde trabalhava a minha mãe fechou. Tem passado os dias no quintal e a tratar das galinhas e dos patos. Já plantou favas, cebolas, alfaces, ervilhas, feijões, batatas, nabiças, couves, pepinos e pimentos. Por aqui, pelo menos, sopa não vai faltar.

A minha irmã, que estuda na Universidade de Coimbra, está em casa a ter aulas online. Se em tempos sonhou ter aulas à distância de um clique, hoje sonha com o dia que se sentará novamente nos bancos da universidade.

O meu pai é um dos que está “na linha da frente” (como as pessoas gostam de dizer) e tem sido um dos nossos heróis.

O meu pai é auxiliar de saúde no hospital da nossa zona e todos os dias sai de casa para ajudar a combater este maldito vírus que fez parar o mundo. A fé e o amor pela profissão dão-lhe fôlego. Apesar de todos os problemas de saúde e da falta de condições de trabalho continua a ir e a lutar, juntamente com os colegas, para que este pesadelo acabe.

No trabalho tem cuidados, chega a casa cuidados tem. Não pode ser de outra maneira. Ainda vem a descer a rua, a minha mãe (preocupada) já lhe está a falar de longe e a lembrar-lhe que a roupa fica na entrada e que vai direto para o banho. Ele sabe. É todos os dias assim. Será assim nos próximos meses.

Cá em casa a grande preocupação são os meus avós. Ambos a chegar à casa dos 80 são, em princípio, os mais vulneráveis. Não saem para nada. O avô Jorge é doente psiquiátrico e os últimos dias têm sido mais difíceis. Nós, família, tentamos dar o apoio que precisam, asseguramos as compras de supermercado, as idas à farmácia e tudo o que vão precisando. A idas aos hipermercados são agora raras, temos tentado remediar com a mercearia do senhor Joaquim e da dona Fátima aqui ao pé de casa.

Eu como fiquei desempregada fico em casa o dia todo. O meu marido continua a trabalhar para que não falte queijo nas prateleiras dos nossos supermercados. Felizmente trabalha numa empresa que desde cedo tem um plano de contingência que é, a meu ver, exemplar.

Os meus dias têm sido ocupados a fazer as lides domésticas, a fazer algum exercício físico, a ler, a escrever, a ver televisão e a falar via videochamada com a minha família paterna (conhecidos pela alcunha de “ganchinhos”).

Os dias tornam-se menos difíceis quando temos, à distância de uma videochamada, os nossos ente-queridos. Dão-nos força e alento quando o desespero bate à porta. Partilhamos os nossos medos, as nossas angústias e umas tantas parvoíces. Recordamos os nossos convívios, sonhamos com os próximos… quando serão? Somos sempre mais de 50 e os ajuntamentos não serão permitidos tão cedo. Enquanto isso, juntamo-nos no Messenger todos os dias, rimos às gargalhadas com os filtros cómicos que usa a tia Laurinda e quase ficamos moucos com a voz estridente da tia São.

Já comemoramos pelo menos oito aniversários via web. Não há bolo para todos. A diabetes, que teima em assombrar boa parte da família, anda controladinha. [A parte da diabetes controlada é mentira. Todos os dias chegam ao grupo de Facebook fotos de bolos e doçaria variada] .

A especialidade da prima Daniela é o bolo de iogurte e um semifrio de bolacha delicioso. A prima Cláudia faz uma mousse de Oreo com um aspeto divinal (mas a Lara também não fica atrás). A prima Sílvia é uma expert em bolo de cacau. A prima Carla faz um bolo de cenoura espetacular! A tia Fátima ainda não mandou fotografia, mas aposto que tem enchido o tio Firmino de queijadinhas. A coitada ainda não teve tempo de tirar fotos da sua especialidade porque os seus dias não têm sido fáceis. Tem estado a cuidar da Adriana e do Francisco (ambos no 1.º ciclo) que teimam em pôr a cabeça da avó em água.

O casamento da nossa “Catarina” foi adiado. Nós estamos tristes. Ela ainda mais. Mas havemos de festejar a união dela com o Xavier ainda com mais vontade e com mais alegria. Esta pandemia fez-nos crescer e aprender a dar ainda mais valor às nossas confraternizações, às gargalhadas juntos, aos abraços apertados. O enlace, que será em 2021, promete!

A par disto, nascerão mais duas “ganchinhas” durante o cenário de guerra. Não as vamos poder visitar, não as vamos pegar no colo tão cedo, mas estamos todos a fazer figas para que nasçam cheias de saúde e de garra.

Tenho saudades. Muitas saudades. Tenho saudades de uma série de gente… mas e do avô Eduardo? Só de pensar o coração já aperta. Faz 92 anos a 12 de maio e não vão haver os festejos habituais ao patriarca da família. Estou inconsolável com a ideia, mas não há outra opção. O que me descansa é que o tio Abílio, sempre muito paciente, tratará muito bem o meu avô – como sempre. A distância é, por estes dias, o maior ato de amor.

Ah, e por falar em amor! Sabem que anda por aí um ganchinho a espalhar amor e dedicação ao próximo? É o nosso Eduardo Filipe. Não é que ele foi um dos bombeiros que entrou no lar de Cavalões e ajudou a transportar os idosos para o Hospital militar no Porto? Que orgulho!

O futuro que se avizinha não será tão colorido quanto imaginei. Tão cedo o medo não vai sair do peito. A crise económica mundial vai afetar-nos a todos um bocadinho. Mas se, depois desta guerra, não perder nenhum dos meus soldados sou a pessoa mais feliz e mais grata deste mundo.

Fiquem em casa e protejam-se!

#Trintei em tempos de Covid-19

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#Trintei!

Entro nos trinta feliz apesar do cenário de guerra lá fora.

Grata.

Com a gargalhada escandalosa a sair-me constantemente.

Preocupada mas com esperança e o positivismo que me caracteriza. Vamos ficar todos bem…tenho a certeza disso!

Este ano não posso festejar rodeada dos meus companheiros de vida mas festejo eu!

Não vou ter um bolo do maravilhoso “Cantinho doce da Neia” mas vou arregaçar as mangas e fazer um bolo. [Não dou garantias que cresça, que não fique colado á forma e muito menos que fique bonito. Mas de que interessa isso se hoje acordei saudável?]

Não vou receber abraços nem presentes mas de que interessa isso se eu e a minha família estamos bem?

Este ano não vou passear nem viajar mas de certeza que não faltarão oportunidades.

O ano passado festejei os 29 em Bergamo (Itália), onde agora as ruas se apinharam de camiões do exército com corpos prontos a serem cremados (sem que a família se possa despedir). Muitos daqueles caixões amontoados (que entram pela nossa sala dentro na hora do Jornal da Noite) são certamente de pessoas com as quais me cruzei naquelas ruas italianas. Continuam com vontade de sair? EU NÃO!

Tenham consciência e fiquem em casa. É a melhor prenda que me podem dar… a mim e à humanidade!

 

Hoje é o dia do pai. Dos pais de verdade! Do meu pai!

Hoje, tal como nos outros dias… mereces que te acarinhe (mesmo sem te poder abraçar), que te dê um beijinho ( mesmo sem te poder tocar), que me levante e te aplauda de pé!

O meu peito enche-se de orgulho (e ao mesmo tempo de aflição) por saber que és uma daquelas pessoas homenageadas nas tantas varandas deste Portugal! Seria tão mais fácil virar as costas e, sendo tu também um grupo de risco, tratares de ti… Mas tu escolheste tratar dos outros primeiro…

Todos os dias te levantas e vais… Com a boa disposição que te caracteriza (até nos dias de caos) e com o peito cheio de calor para dar aos doentes que passam pelas tuas mãos! (Mesmo que as condições de trabalho sejam tristes de tão insuficientes).

Apesar disso tu continuas a ir trabalhar de mão dada com a tua fé! Fé essa que me passaste e que me faz acreditar que isto é só um pesadelo, que vamos todos ficar bem, que isto é só o universo a obrigar-nos a parar, a reflectir, a dar valor ao que realmente importa!

Que hoje possas voltar para casa saudável e que esse maldito vírus poupe, pelo menos, quem está (na hora da verdade) na linha da frente!

Que as mensagens que me envias sobre as dificuldades destes dias (em jeito de desabafo) sejam rapidamente substituídas pelas tuas habituais mensagens lamechas e por aquelas em que nos “insultamos” de forma carinhosa e a brincar!

Que o teu contacto com os avós (que vivem aqui ao lado) possa ser restabelecido em breve… que possas ir a pé à “Aldeia Nova”,  ver o teu “velhote” quando te apetecer, que possas rapidamente entrar nas típicas discórdias com a avó  (e que a seguir te lembres do quanto ela estima a irmã e lhe perguntes com todo a carinho, e de telemóvel em punho, “senhora Maria, quer ligar para a sua irmã Paula?”).

Continua a ser consciente e a proteger-te conforme podes. A desinfectar e a lavar as mãos as vezes que achares necessário (mesmo quando os outros acham exagerado)… O teu exagero enche-me de orgulho porque sei que estás a fazer de tudo para te protegeres a ti e a nós .. como proteges sempre.

Este ano não vou sair para te comprar um presente… Porque penso em mim, em ti, na nossa família, nos que nos são queridos e em tantas outras pessoas que nem sequer conhecemos.

Contudo não posso deixar este dia passar em branco. Aos (quase) 30 anos, fiz-te um desenho como presente… como os que te fazia quando era criança… afinal o dinheiro compra pouco e o amor está nas pequenas coisas!

Decidi desenhar-te com a tua capa de super herói. Nem todas são vermelhas..A tua é amarelinha com a sigla CHMA (Centro Hospitalar do Médio Ave) ao peito!

O covid-19 nem é assim um bicho tão mau, afinal veio mostrar-nos por onde é o caminho e a desvalorizar o que não interessa para nada.

És o meu orgulho papá! O meu exemplo a seguir! Cuida de ti, de nós e dos outros!

Amo-te!

A tua,

Cátia Marina

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“Peles não dão ataques cardíacos”. A vida com menos 50kgs.

“Peles não dão ataques cardíacos” é a frase que tenho repetido mais ultimamente. E porquê?

Fiz um bypass gástrico no dia 7 de janeiro deste ano e já perdi mais de 50 kgs. No dia da cirurgia pesava 133kg e 600 gramas mas tenho noção que antes disso o ponteiro da balança já tinha visitado os 140. Hoje peso 81 kg e 600 gramas. Parece mentira.

Quem me conhece bem sabe que tenho pavor a tudo o que esteja relacionado com medicina.  Não estão a imaginar o meu pavor a hospitais, a médicos e a agulhas.

O certo é que me mentalizei… fiz as análises necessárias e todos os exames, inclusive uma endoscopia sem sedação (que nunca pensei ser capaz), e o dia da cirurgia chegou!

Fui para aquela sala de operações em pânico mas certa que não ia pensar sequer em desistir. Era a minha saúde e a minha qualidade de vida em jogo. Desistir nunca foi opção.

Com a perda de peso, veio o excesso de pele na barriga, nos braços, nas pernocas e não está bonito. O bom é que não me incomoda demasiado. O que me incomodava demasiado era estar doente e viver com dores.

Faço musculação desde os 2 meses de cirurgia e quando executo os exercícios, no espelho lá aparecem elas. Apesar dos olhares curiosos não sinto vergonha. Não sinto vergonha porque aquelas peles são a prova da minha luta e do meu esforço.

Não pensei que lidasse tão bem com elas (sou sincera). A maioria dos olhares não são de nojo, não são desagradáveis (como eu esperava que fossem)… são apenas olhares curiosos. Às vezes dá vontade de explicar o que aconteceu até aos desconhecidos.

Como eu costumo dizer, o excesso de pele não origina ataques cardíacos. A obesidade sim! E eu vivia com medo que um dia destes o meu corpo chegasse ao limite e não aguentasse.

A vida com menos 50 kgs é uma vida mais leve. É acordar e não ter dores ao colocar os pés no chão. É poder virar-me na cama sem dificuldade. É poder passear no shopping mais de 30 minutos sem ter dores insuportáveis nos pés, nas pernas e nas costas. É subir umas escadas sem dor no peito e ficar ofegante É poder trabalhar sem estar dependente de analgésicos e não desesperar com dores.  É entrar numa loja e não ter que ir à secção “Plus Size”. É poder apertar umas sandálias sozinha. É poder cruzar a perna. É conseguir correr. É conseguir carregar as compras do carro até casa. É conseguir apertar, sem dificuldade, o cinto no avião. É dormir melhor. É ver na tua sombra uma silhueta mais normal. É poder sentar-me numa esplanada sem ter medo que a cadeira parta. É o melhor que me podia ter acontecido.

Ao contrário de muitos que passam por uma cirurgia bariátrica, o processo de aceitação do que vejo ao espelho tem sido fácil. Muitos não se reconhecem e acabam depressivos e angustiados. Eu sinto que sou mais eu e isso deixa-me profundamente feliz e grata.

Grata por conseguir levar uma vida mais normal, mais independente e com menos dores. Ter um dia sem que nada me doa é incrível.

Deus permita que nunca me esqueça do peso que tive, das dificuldades por que passei por ser obesa. Vejo aí muito boa gente que se esquece que foi gorda e faz comentários desnecessários a quem ainda não teve a oportunidade de tratar deste problema.

A esses gordinhos, sintam-se abraçados e apoiados por mim. Nós sabemos que ninguém é gordo porque quer e quão triste é estar preso a um corpo que não nos pertence.

Quando acordei da cirurgia senti-me muito debilitada e com dores terríveis no abdómen. O meu primeiro pensamento foi: que bom! Já está! Mas não me apanham aqui para as cirurgias plásticas! Livra!

Hoje, a minha opinião mudou e tenho-vos a dizer que irei até ao fim da luta. Darei o corpo às balas e além de mais saudável,  um dia terei um corpo mais bonito.

Obrigada a quem não desistiu de mim e ao Dr. Washington Costa que mudou a minha vida.

 

Diz não ao desperdício alimentar!

Conheci o conceito do “Good After” através do “Contas Poupança” há já algum tempo. [Para quem não conhece a rubrica, o “Contas Poupança” passa no Jornal da Noite (na SIC) e ensina-nos a poupar alguns eurinhos.] – o que dá um jeitaço, diga-se!

Como sabem, as compras de supermercado pesam, cada vez mais, na carteira de todos nós. [Mesmo sendo uma caça-promoções gasto sempre mais do que desejaria, não sei se também vos acontece!].

Quem me conhece, sabe como ADORO descontos e de analisar, ao detalhe, folhetos de supermercado! [Não imaginam como fiquei quando abri o site do Good After e vi descontos de 70%!] – Só quem gosta VERDADEIRAMENTE de descontos pode imaginar!

E (perguntam vocês) como é que eles conseguem ter esses preços? Esses descontos?

A ideia do Good After é tentar dar uma nova vida a milhares de produtos (em perfeito estado de conservação), que se não fossem resgatados, acabariam no LIXO… Sim, leram bem… NO LIXO! “Sem dó nem piedade”!

Este supermercado online diz NÃO (e muito bem, na minha opinião) ao desperdício alimentar e vende produtos que já não podem ser comercializados (mas que podem ser consumidos sem problema).

Good after

 

Como podem reparar nas embalagens que trazemos do supermercado, há dois tipos de prazos de validade.

Há o “Consumir até…” que deve ser respeitado porque é aplicado nos produtos perecíveis (depois disso pode ser um risco consumi-los). E o “Consumir de preferência antes de…” que normalmente vem nos enlatados, nas especiarias, nos cremes de beleza, nos champôs, nos refrigerantes, etc. (este “consumir de preferência antes de…” não obriga a consumir até a determinada data). O Good After tem estes produtos à venda por preços muito convidativos!

Quando o prazo “Consumir até…” está próximo, as marcas já não os enviam para as grandes superfícies e estes acabam por ser deitados no lixo. O Good After compra-os e vende-os online a preços ótimos. (Têm é que ser consumidos mais rapidamente).

Ah…mas o Good After também tem à venda produtos dentro de todos os prazos! São produtos em stocks residuais e/ou que são retirados das prateleiras dos supermercados porque a marca decidiu modernizar a embalagem e já não vende a antiga.  (Já comprei uma série de produtos de beleza nestas condições muiiiito mais baratinhos).

Fiz a minha primeira encomenda em abril de 2018 e estou muito satisfeita. Se a encomenda for feita até às 13:00, recebemo-la logo no dia seguinte. Vem sempre tudo muiiiito bem embalado e acondicionado. Mesmo assim, quando há azares, eles resolvem muito rapidamente e simpaticamente. [Numa das encomendas, pedi duas máscaras capilares (que vazaram pelo caminho), contactei-os (via e-mail) e deram-me logo duas direitinhas].

E mais… a partir de 49 euros não se paga portes de envio! O pagamento pode ser feito através de várias modalidades, eu costumo pagar por Multibanco e corre sempre tudo muito bem!

 

 

Isto não é publicidade… É apenas mais uma “dica” desta rapariga bem-disposta que se começa a preocupar com o desperdício e com o ambiente.

(É tarde? Se calhar é! Mas “mais vale tarde do que nunca”! ahahaha)

Ser homem é muito triste

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“Ser homem é muito triste”.

Quem me conhece já me ouviu dizer isto. (Ou mais ou menos isto!)  Porque o digo sempre com o sotaque carregado de norte e o que se ouve realmente é “Ser hóme é muito triste”.

Digo-o, em tom de brincadeira, quando sou presenteada com a falta de jeito dos homens para certas tarefas essenciais no dia a dia.

Em casa, tenho a sorte de ter um homem esforçado, que se empenha, por exemplo, a passar a sua camisa (em caso de extrema necessidade)… mas acaba por passar  horas em frente à tábua de engomar. Há vezes em que o observo, acho graça e engulo a gargalhada. Depois de meia tarde de volta da camisa começo a enfurecer e logo me sai um “olha que ser hóme é muito triste”, pego na camisa e em 5 minutos está toda bonitinha.

(Mas como isto… muitas outras coisas!)

Hoje é dia da mulher e eu continuo a achar que ser mulher é uma bênção de Deus!

Já viram o bom que é pegar numa camisa e tê-la engomadinha em 5 minutos? Chegar a casa, colocar roupa a lavar, roupa a secar, preparar marmitas, fazer o jantar, arrumar a cozinha, temperar a carne para o dia seguinte,  enquanto o homem, que chega a casa exatamente à mesma hora, só tem tempo de descobrir onde pára o seu pijama para vestir depois do banho? (Abre gaveta, fecha gaveta. Uma canseira!)

Somos mesmo geniais, despachadas e maravilhosas! Não acham?

ahahahahahahahah

COMO É BOM SER MULHER!

Feliz dia a todas!

 

Autorretrato

Sou de gargalhada fácil. De piada sempre na ponta da língua.

O meu coração está na boca.

Espontânea e impulsiva.

Distraída.

Positiva. Às vezes demais.

Sonhadora.

Meia disléxica.

Um nadinha surda!

Não sei falar baixo.

Em tempos fui extremamente tranquila mas passou-me. [Não fosse eu Carneiro].

Não sei ser formal. Em certas situações tenho que ser mas facilmente se percebe o esforço.

Medricas… muito medricas!

Solidária.

Muitas vezes ingénua.

Dorminhoca? Dorminhoca é favor!

Intolerante à dor.

Tagarela! Adoro conversar. De ouvir e contar histórias.

Amante de roupa e calçado confortável.

Gosto de cozinhar! Considero-me uma engenhoca na cozinha! Umas vezes corre bem, outras nem por isso!

Sou uma vergonha a fazer bolos.

Adoro comer comida saudável e experimentar comida internacional.

Não gosto de cerveja nem de vinho… mas venha de lá a sangria!

Gosto de ler.

E de escrever? Não imaginam o quanto me faz bem.

Sou apreciadora de tecnologias e de redes sociais.

Boa ouvinte.

Sou de abraços apertados e de lamechices.

Odeio falsos moralismos.

A mentira enfurece-me!

Muito observadora.

Chorona.

Gosto de animais e falo com a minha cadela. [alguns ficarão preocupados… serão sinais de demência? Ninguém sabe. ahahahah]

Não gosto de surpresas. Fico danada! [mas já tive algumas inesquecíveis]

Tenho uma relação incrível com o sofá, a mantinha polar e a televisão aos sábados à noite.

Não gosto de cinema nem de séries. Mas colo à televisão quando se trata de documentários.

Sou muito boazinha… mas experimentem mexer com a minha família!

Sou descordenada. Tudo o que seja ‘pra lá de “macarena” é um desafio.

Sou desastrada.

Pessoas “politicamente corretas” irritam-me profundamente!

Adoro fotografar mas odeio ser fotografada.

Não sei jogar futebol. Não consigo, de maneira nenhuma, acertar na bola! Sempre que tento ponho a plateia aos pinotes de tanto rir!

Pareço certinha mas gosto de hip-hop e de letras rebeldes.

Considero-me sortuda. Já tive sorte no jogo e continuo a ter no amor!

E mais? Digam-me vocês!

Um mês.

Faz hoje um mês que fui operada!

Depois de 28 anos (quase 29) de luta contra a obesidade fiz um bypass-gástrico.

O peso não descia, a balança todos os dias me dava más notícias, o corpo começava a ressentir-se!

Os dias de dor começaram a ser cada vez menos espaçados. Houveram dias terríveis em que mal conseguia colocar os pés no chão de tanta dor que sentia.  Apesar disso, lá me levantava, aquecia os motores e lá ia trabalhar. Uns dias doíam os pés, outros as costas, outros as pernas, outros a anca, outros os joelhos e ainda outros que TUDO me doía.

Durante esse tempo fui a queixosa, “a fraquinha”, a preguiçosa e sei lá eu que mais… Mas a dor era minha e era eu que me tinha que me debater com ela. O que me restou?  Fazer “orelhas moucas”, ter paciência e esperar que o telefone tocasse …

E TOCOU! Apesar de dois anos de espera… o dia estava perto.

No dia 7 de janeiro fui operada no hospital de Guimarães pelo maravilhoso Dr. Washington da Costa.  Nesse dia, o medo tomou conta de mim… mas fui com medo mesmo. Não me restavam outras opções!

[A Cátia Marina que tem fobia agulhas, que aos 20 e tal anos vai com o pai à vacina, que odeia hospitais e tudo o que tenha a ver com medicina, respirou fundo, reconheceu que tinha que ser rapidamente ajudada, apesar de todos os medos, e foi ao bloco.]

O acordar foi difícil, os três ou quatro dias seguintes foram de fortes dores, confesso. Agora sinto-me bem, aos poucos vou começando a fazer a minha vida normalmente e… JÁ PASSOU UM MÊS.

Estou a fazer dieta líquida há um mês e assim estarei até dia 19 de fevereiro (data da consulta). Se é fácil? Não! De todo! Contudo faz parte da luta!

Tenho a dizer-vos que neste momento o foco está na minha saúde, que tenho cumprido escrupulosamente todas as indicações médicas e que tenho enfrentado “o touro pelos cornos”. Até cozinho para o marido!

Mas vou contar-vos um segredo! Isto é “tudo muito bonito” mas devo confessar-vos que penso em frango e em pãozinho torrado com manteiga, desde que me levanto até que me deito… Mas xiuuuuuu!

Hoje apertei o meu cinto no último buraco, como no dia do internamento, e estamos assim:

 

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Estou feliz e é isso!

 

 

Homens destes honram a humanidade!

 

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Todos os dias nos desiludimos com pessoas, é certo! Há momentos em que aquela frase feita “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto de animais” parece fazer todo o sentido! Mas… eu continuo a gostar muito de pessoas por mais que me desiluda com elas.

Ainda há corações maravilhosos, estes dias descobri um por baixo de uma farda azul!  Ora vejamos:

Terça-feira a Polícia de Segurança Pública partilhou na sua página oficial do Facebook o agradecimento de um pai que passou por alguns momentos de aflição.

Vítor Martins Romão regressava a Lisboa (depois de uma visita rápida a Grândola) quando recebeu uma chamada de Renata. A filha de ambos precisava de uma cirurgia urgente e encontrava-se já no bloco operatório à espera da assinatura do termo de consentimento para o procedimento anestésico.

Não pensou duas vezes. Ligou os 4 piscas e acelerou!

A conduzir com excesso de velocidade aquele pai aflito foi mandado parar por uma moto da PSP. Parou. O agente bateu continência e pediu-lhe os documentos. Perguntou o porquê da marcha de urgência e do tipo de condução.

Vítor disse-lhe que tinha uma filha à espera num bloco operatório do Hospital de Sta. Maria, e que ele tinha duas opções: ou o prendia já, ou ele ia seguir e com o mesmo tipo de condução.

Não aguentou a pressão e chorou. 

O agente “Calmo. Sem sequer tirar o capacete, nem pegar na carteira dos documentos, que lhe estava a dar, apenas me disse: ‘respire fundo, acalme-se o que lhe seja possível e siga-me. Saiu em direcção à mota e escoltou-me até Santa Maria. Em frente ao portão principal, voltou a fazer continência e seguiu”, relatou este pai.

Homens destes honram, mais do que a instituição que representam, a humanidade!