Homens destes honram a humanidade!

 

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Todos os dias nos desiludimos com pessoas, é certo! Há momentos em que aquela frase feita “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto de animais” parece fazer todo o sentido! Mas… eu continuo a gostar muito de pessoas por mais que me desiluda com elas.

Ainda há corações maravilhosos, estes dias descobri um por baixo de uma farda azul!  Ora vejamos:

Terça-feira a Polícia de Segurança Pública partilhou na sua página oficial do Facebook o agradecimento de um pai que passou por alguns momentos de aflição.

Vítor Martins Romão regressava a Lisboa (depois de uma visita rápida a Grândola) quando recebeu uma chamada de Renata. A filha de ambos precisava de uma cirurgia urgente e encontrava-se já no bloco operatório à espera da assinatura do termo de consentimento para o procedimento anestésico.

Não pensou duas vezes. Ligou os 4 piscas e acelerou!

A conduzir com excesso de velocidade aquele pai aflito foi mandado parar por uma moto da PSP. Parou. O agente bateu continência e pediu-lhe os documentos. Perguntou o porquê da marcha de urgência e do tipo de condução.

Vítor disse-lhe que tinha uma filha à espera num bloco operatório do Hospital de Sta. Maria, e que ele tinha duas opções: ou o prendia já, ou ele ia seguir e com o mesmo tipo de condução.

Não aguentou a pressão e chorou. 

O agente “Calmo. Sem sequer tirar o capacete, nem pegar na carteira dos documentos, que lhe estava a dar, apenas me disse: ‘respire fundo, acalme-se o que lhe seja possível e siga-me. Saiu em direcção à mota e escoltou-me até Santa Maria. Em frente ao portão principal, voltou a fazer continência e seguiu”, relatou este pai.

Homens destes honram, mais do que a instituição que representam, a humanidade!

 

 

 

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Hoje é dia do professor. Obrigada aos professores da minha vida!

 

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Hoje é o dia do professor e eu quero homenagear os meus. Fizeram parte da minha vida e da minha educação. Muito lhes devo!

O meu percurso começou no ensino pré-escolar… com a professora Antonieta. Lembro-me do seu nome peculiar e pouco mais. Era pequenina. Podem-me dar um desconto?

O infantário funcionava numa pequena sala na junta da freguesia. Uma vez queimei a mão no aquecedor lá da sala. Valeu-me a dona Inês que fez o papel de mãe e me deu beijinhos para aquela maldita dor passar! E PASSOU! A dona Inês é a auxiliar mais meiguinha que alguma vez conheci. Ela não sabe, mas sempre que a vejo, ainda a olho com um carinho especial.

Depois entrei para o 1º ciclo. Sortuda como sou fiquei na sala da professora Filomena. Foram quatro anos inesquecíveis. Lembro-me da sua voz serena, da calma, da paciência e da letra perfeitinha com que escrevia a data todas as manhãs no quadro de lousa. No início trazia uma longa trança preta, depois mudou de look e cortou o cabelo pelos ombros. Lembro-me do quanto gostei do novo penteado.

A professora Filomena ensinou-nos a ser poupadinhos nos cadernos, tinham que estar sempre limpos e sem orelhas!  Ensinou-nos a participar ordenadamente, a sermos responsáveis e acarinhou-nos muito.

No quinto ano tudo mudou! Métodos de ensino novos, muitos professores, e muita confusão nos primeiros dias.  Já me sentia crescida e já fazia parelha com “os grandes”.

No 2º e 3º ciclos cruzei-me com muitos professores. Uns mais inesquecíveis do que outros, mas todos especiais… Todos eles me acrescentaram alguma coisa. É impossível esquecer-me da professora Isabel Gouveia (de História e Geografia de Portugal), que apesar da sua postura de respeito, era um doce. Um dia fizemos um concurso de História. Fartei-me de estudar… consegui ficar no pódio (já não sei em que lugar) e o prémio foi um CD dos SuperTeen (que a sua filha gentilmente nos cedeu). Não imaginam a felicidade. Foi o meu primeiro CD! Ainda o devo ter guardado por aí.

É impossível esquecer a professora Carla Castelo Branco (de Inglês), o professor Paiva, a professora Emília e a professora Sandra Carneiro (todos de matemática), o professor Paulo de Ciências da Natureza (que tinha um sotaque brasileiro encantador), a professora Fátima Maia (de Língua Portuguesa), a professora de Geografia do 9º ano que era uma bem-disposta, o professor José Costa de Físico-Química, o professor de Educação Tecnológica que alinhava nas nossas brincadeiras, o professor António Paulo, de História, e de tantos outros que fizeram parte do meu percurso do ensino básico.

Terminado o 3º ciclo, fui para um curso profissional de Secretariado. Lá conheci a formadora Cristiana Silva com quem toda a turma criou uma relação muito bonita. Tratava-nos por pintainhos! Foi uma mãe para nós.

Durante os três anos de formação, cruzei-me com professores realmente espectaculares: com a professora Rosa Vilarinho ( de Direito), com a professora Augusta ( de Comunicar em Português) que tinha “uma paciência de jó”, com professor Francisco ( de TIC), com a professora Susana Meireles (de Psicossociologia), com a professora Ângela (de Inglês). Uma das professoras mais marcantes foi a professora Andreia Araújo (de Matemática). Nunca gostei de matemática. Nunca! Sempre passei à rasquinha. Odiava aquilo e não tinha a mínima pachorra para estudar números acompanhados de letras e fórmulas esquisitóides. Com muita paciência e persistência a professora Andreia fez com que não fosse tão doloroso estudar Matemática e cheguei até a sentir algum prazer em resolver exercícios. Naquela escola tive o meu primeiro 16 a matemática. Um feito inacreditável!

Em 2010 concorri à universidade e fui para a Cova da Lã! (Bendita a hora). Entrei no meu curso de sonho: Ciências da Comunicação mas a 300 kms de casa.

Lá, no interior do país, onde “não se passa nada” e “no meio do monte” como todos me diziam fui imensamente feliz! Verdadeiramente feliz!

A Universidade da Beira Interior e a Covilhã fizeram-me sentir em casa.

Lá tive o prazer de aprender com grandes mestres entre os quais: o professor António Fidalgo (atual reitor), o professor João Canavilhas (vice reitor), a professora Anabela Gradim, o professor Nuno Francisco, o professor João Carlos Correia, o professor José Ricardo Carvalheiro, a professora Ana Leonor Santos, o professor Bento, a professora Ivone, o professor Eduardo Camilo, o professor Urbano Sidoncha, o professor Paulo Serra, o professor Alexandre Luís, o professor Herlander Elias, o professor Washington, o professor Ricardo, o professor Paulo Serra, entre muitos outros.

Um obrigada GIGANTE a todas estas pessoas que contribuíram (em muito) para aquilo que sou hoje. Foram eles que me educaram, me incentivaram e me ensinaram que o saber não ocupa mesmo lugar!

A eles, um muito obrigada! Terão sempre um lugar no meu coração!

Eternamente grata!

Feliz dia a todos os professores da minha vida!

Nós recebemos aquilo que damos!

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O pai Serafim é auxiliar de ação médica no Hospital de Famalicão.

Em junho deste ano enquanto ia para o trabalho sofreu um grave acidente de viação.

Como tantas outras manhãs, o meu tio Manuel tinha-lhe dado boleia para o trabalho. Iam os dois tranquilamente a conversar quando um carro lhes bateu violentamente. Resultado: um choque frontal, momentos de pânico e umas vértebras partidas.

Deviam faltar poucos minutos para as oito da manhã. Tinha acordado pouco antes. Estava com a cadela na rua, quando o telefone toca.

Era o meu pai, desesperado, a chorar e a gritar por ajuda. Não me respondia se estava ferido. Peguei no carro e voei até ao local do acidente. Cheguei antes dos bombeiros. Aparentemente estavam os dois bem. Só assustados.

Poucos minutos depois chegaram os bombeiros e a VMER que fizeram o seu trabalho de forma exímia. O meu pai e o meu tio acabaram por ser transportados para as urgências do hospital de Famalicão, onde o meu pai trabalha.

Ao longo das horas que lá passamos, enquanto esperávamos um diagnóstico, por lá passaram muitos colegas de trabalho para saber como ele estava.

Entretanto soubemos o diagnóstico. Vértebra L4 partida, colete vertebral durante uns meses e uma longa recuperação pela frente. O cenário era mau. Apesar disso a ortopedista disse que este não era dos piores cenários. Se a vértebra tivesse fraturado para o lado contrário, atingia a medula e o meu pai ficava paraplégico.

Depois de muitas visitas, – inclusive da família, que nunca falha – chegou uma senhora, de bata amarela que faz parte da equipa de voluntariado do hospital.

Olhou para o meu pai e parou. Observou-o atentamente e perguntou-me:

– Este senhor não trabalha aqui? Eu conheço-o! Eu respondi que sim e expliquei-lhe o que tinha acontecido.

Ela chega-se perto do meu pai, debruça-se sobre a maca e diz-lhe: (mais ou menos nestas palavras)

“Tenha fé meu senhor. Você vai ver que vai recuperar disto! Tem que ter paciência. Amanhã será um dia melhor… e sabe porque lhe digo isto? Porque há dez anos tive um problema muito grave no intestino. Estive praticamente a morrer. Um dia quando tive que fazer uma endoscopia, fui transportada por si da enfermaria para o maldito exame. Estava muito triste e desanimada. Queixei-me de frio, você prontamente me pôs um casaco pelas costas e disse-me: ‘Oh minha santa, tenha fé! Você vai ficar boa … e amanhã será um dia melhor…’. Hoje sou eu que lhe digo e lhe dou uma mensagem de esperança! Amanhã será um dia melhor…Nem sabe o quanto as suas palavras foram importantes para mim naquele momento. Nunca me esqueci da sua cara!”

Os meus olhos, os do meu pai e os daquela senhora encheram-se de lágrimas.

Agradecemos o gesto. Ela recusou o agradecimento. Disse que quem tinha que agradecer era ela por aquelas palavras naquele momento tão difícil.

Há dúvidas quanto à lei do retorno? Se dúvidas houvessem, para mim deixaram de existir.

Nós recebemos aquilo que damos. Ponto!

Parabéns irmã!

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Faz hoje 19 anos que nasceu a minha irmã, a minha nini, a minha ninixas.

Chama-se Diana. Não é a de Gales mas é a minha princesa.

Passavam cinco minutos do meio dia quando a minha mãe pôs ao mundo a bebé mais linda que eu alguma vez vi. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Eu e o meu pai saímos do hospital pouco antes do meio-dia porque, segundo os médicos, o parto (cesariana) ainda ia demorar muito. Como o dia era especial, fomos almoçar fora. Quando voltamos disseram-nos que a nossa bebé já tinha nascido. (pouco depois de termos saído). Grrrr!

Quando chegamos, a minha mãe ainda estava no recobro… mas a nossa bebé já estava com as enfermeiras. Corremos para vê-la. Branquinha, carequinha e perfeitinha. Apaixonei-me imediatamente!

Segundo o meu pai, era para ser um Ricardo André mas houve alguma coisa que falhou no projeto… mas ainda bem! É tão bom ter uma irmã!

A Diana foi o melhor presente que os meus pais me deram. Com o nascimento da minha irmã aprendi a partilhar e o que era o amor incondicional.

Sinto-me uma sortuda por ter podido acompanhar a gravidez e o crescimento da Diana.

Tenho bem presente o crescimento da barriga da minha mãe, o nascimento e os primeiros tempos de vida da minha irmã… e acho isso o máximo!

Os primeiros meses foram complicados. As noites eram terríveis. “Abria aquelas goelas para trás e não havia quem a calasse”, como diz o pai Serafim. (Que muitas vezes desesperou perante o cenário de berreiro).

Adorava a maminha. A minha mãe amamentou até aos 18 meses.

A infância da minha mana foi muito feliz mas um pouco atribulada.  Por volta dos dois anos – creio – a minha irmã ficou completamente careca numa grande área da cabeça. Os comentários e as perguntas vinham de todo o lado. Uma senhora conseguiu convencer a minha mãe que a nini tinha um cancro, por isso é que o cabelo estava a cair. Ficamos em pânico, procuramos ajuda médica… e era apenas um tique nervoso. (que ainda hoje existe enquanto dorme).

A Diana enrolava o cabelo e os fios acabavam por partir. De dia para dia tinha cada vez menos cabelo. Depois, o cabelo tornou-se mais forte e já resiste 😀

Mais tarde, decidiu começar a gaguejar, outro filme cá em casa!

….

O feitio vincado nasceu com ela e ainda sobrevive!

Sempre foi muito vaidosa. Ainda mal falava mas já só vestia o que queria. Sempre se impôs! Para todo o lado que fosse tinha que ir nos trinques!

Um dia, decidiu fazer um corte de cabelo radical com uma tesoura que apanhou por aí… mas não se saiu muito bem…  (Segundo ela para ficar igual a um amigo da minha mãe que é calvo).

Hoje a minha bebé está uma mulher e há dias em que nem consigo acredito que tudo passou tão rápido.

Somos o aposto e acredito que seja esse o nosso equilíbrio. Apesar da nossa diferença de idades somos muito próximas, amigas e cúmplices. Ah, e as nossas batatadas já duram muito menos tempo. Estamos no bom caminho, certo?

Por ela vou ao fim do mundo.

Parabéns maninha, amo-te muito!

 

 

 

 

 

 

 

O cérebro dos nossos governantes também ardeu em Pedrógão?

pedrograo

Certamente!

Já é sabido que sou uma rapariga bem disposta mas tenho-vos a dizer que coisas destas me fazem ficar PROFUNDAMENTE mal disposta.

Prestes a fazer um ano da tragédia em Pedrógão Grande, o Jornal de Notícias foi à procura de um heróis do dia 17 de junho de 2017.

Rui Rosinha é um homem de 40 anos como tantos outros. Jovem. Valente. Altruísta. Salvou quem pôde e como pôde mas acabou por ficar gravemente ferido. O amor pelo próximo valeu-lhe quase três meses em coma, 14 operações, lesões que o irão acompanhar a vida toda e 85% de incapacidade.

Recebe 267 euros mensais de pensão de invalidez. Sim, duzentos e sessenta e sete euros! Não chega a metade um ordenado mínimo. Isto envergonha-me! Que país é este? O que andarão a fazer os nossos governantes? A dormir… é uma das hipóteses.

É esta a recompensa que damos a um homem que teve a bravura de lutar contra aquele monstro que devorou tudo por onde passou?  Morreram 64 pessoas. Não morreram mais porque apesar de todas as injustiças houveram homens e mulheres que honraram, uma vez mais, o título de “soldados da paz”.

Passou um ano, já ninguém se lembra do trabalho dos bombeiros. Já ninguém se lembra dos tantos “Ruis Rosinhas” que combateram quilómetros de fogo que pareciam não ter fim. Horas e dias a fio. Que protegeram o que puderam quando tudo falhou. Os meios, as comunicações, as orientações e sei lá eu que mais.

Toda a gente investiga o que correu mal. Toda a gente investe em sistemas de comunicação menos falíveis. Mas e meios para os bombeiros? Os bombeiros não têm dispositivos de combate adequados. NEM FARDAMENTO devido. E isto é muito muito grave.

Deixam as suas famílias. Arriscam a vida. Estão dias sem dar notícias a quem quer que seja. Protegem o que não é seu. Fazem trabalho voluntário. Comem massa com massa. [quando comem] E não têm sequer direito às ferramentas básicas de trabalho?

Enquanto assistimos a isto, todos os verões sem excepção, compramos submarinos e vemos uns quantos a meter uns milhões do Estado “para o esquerdo” sem que nada aconteça.

Até quando vamos pagar balúrdios e patrocinar viagens, carros topos de gama, motoristas, casas luxuosas à classe política deste país sabendo que quem esteve no terreno, quem lutou por nós, quem “deu o corpo ao manifesto” na hora da verdade vive com apenas 267 euros por mês?

 

 

 

 

 

 

Escrever.

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Gosto de escrever. De contar histórias. De escrever sobre aquilo que vivo, sobre aquilo que sinto, sobre as coisas que faço.

Escrever é para mim uma terapia. Nos dias mais cinzentos, ligo o computador e descarrego as minhas inquietações no teclado. 

A oralidade não é – nem nunca foi – o meu forte. A escrever consigo exprimir-me sempre melhor.

Não sei quando começou este gosto pela escrita mas creio que muito cedo.

Ainda na escola primária, ofereceram-me um diário. Comecei a escrever sobre os meus dias e as minhas preocupações. Era tudo top secret e devidamente fechado à chave! Escrevi diários desde aí e até à minha adolescência.

No início do secundário os meus pais ofereceram-me um computador. Lembro-me da surpresa que foi quando cheguei a casa e vi um computador novinho em folha em cima da minha secretária. Fiquei tão feliz!

Era um computador fixo, em tons de cinzento e com um monitor bastante moderno para a altura. Desde aí, comecei a escrever com mais regularidade. Fui escrevendo e guardando os ficheiros em pastas dentro de pastas. Guardando, acumulando e apagando aqueles textos que não queria que ninguém lesse de maneira nenhuma. [Hoje tenho pena de ter perdido alguns].

Nunca fui muito segura. Nunca achei que escrevesse assim tão bem.

Um dia, na faculdade, durante uma aula de voz confessei a uma terapeuta da fala que não tinha grande jeito para falar. Acabei por lhe confidenciar que escrevia muito mas que não tinha coragem de mostrar a ninguém. Depois de ver umas linhas escritas por mim, encorajou-me a pensar num blogue. O blogue chegou anos depois, mas chegou!

O blogue ajudou-me a ganhar mais confiança nesse aspecto porque fui tendo um feedback positivo. [Têm-me abordado de uma forma tão querida, tão simpática! Mas eu ainda fico meia corada de tão envergonhada)

Escrever acalma-me, ajuda-me a pensar melhor sobre as coisas, a relaxar.

Escrever dá-me prazer e enquanto assim for, escreverei. Se vos interessa o que escrevo, não sei. Mas enquanto me fizer bem contem com mais textos, mais desabafos e mais “cenas” desta rapariga bem disposta.

 

 

Escolher morrer.

viver depois de ti

Quem me conhece sabe que não sou propriamente uma amante de cinema. Acho sempre que os livros são melhores que os filmes. Mas às vezes lá vejo um ou outro.

Há uns tempos acabei por ver um. Pouco tempo depois revi-o.

O filme chama-se “Viver depois de ti” e é fenomenal. Envolvi-me tanto na história que chorei.  Emocionei-me de tal maneira que o nó na garganta só passou horas depois.

O filme conta a história de Will Traynor, um jovem super ativo, amante de desportos radiciais, que acaba por ter um acidente muito grave e que se vê preso a uma cadeira de rodas. [Sem qualquer hipótese de recuperação]

Uma vez que ele apenas mexe a cabeça e alguns dedos da mão, a família decide contratar alguém que lhe possa fazer companhia e o ajude nas necessidades básicas. A escolhida é Louisa Clark.

Louisa acaba de ficar desempregada e aceita o desafio… e que desafio! O jovem é arrogante, autoritário e maltrata a cuidadora em boa parte do filme. Louisa tenta aguentar já que precisa muito de trabalhar.

Depois de muita insistência por parte dela, Will rende-se e os dois desenvolvem uma amizade inspiradora que depressa passa a uma linda história de amor.

As dores de Will Traynor tornam-se cada dia mais insuportáveis. O plano dele é morrer. Quando Louisa percebe isso luta para lhe mostrar que ainda assim vale a pena viver. Mesmo assim ninguém o demove.

Apesar do país onde vive não o permitir, Will viaja para o estrangeiro e acaba por conseguir o que mais quer: a Eutanásia. Morre “feliz” ao lado dos pais e de Louisa.

Este filme obriga-nos a reflectir sobre questões muito sérias.

Nunca passei por uma situação-limite e não consigo dizer se sou contra ou a favor da Eutanásia mas até que ponto uma pessoa pode ser obrigada a viver agarrada a uma cadeira de rodas, totalmente dependente dos outros, e dominada pela dor?

Will vive dependente, desesperado de dor. Mesmo assim, apesar de ficção, nesta situação, eu não queria que ele morresse. Estarei a ser egoísta? Não sei. Talvez a maturidade e a experiência de vida me tragam respostas.

Sinto que a Eutanásia pode ser um erro incorregível, num mundo que tem tanta sede de conhecimento e que descobre coisas novas todos os dias. A cura pode não demorar a ser encontrada e isso corrói-me.

Só sei que a minha fé me faz acreditar que a esperança é a última a morrer. Mesmo assim não consigo ter uma opinião formada sobre este assunto pois é “uma faca de dois gumes”. Sou só eu?

Qual é a vossa opinião?