Nós recebemos aquilo que damos!

urgencia

 

O pai Serafim é auxiliar de ação médica no Hospital de Famalicão.

Em junho deste ano enquanto ia para o trabalho sofreu um grave acidente de viação.

Como tantas outras manhãs, o meu tio Manuel tinha-lhe dado boleia para o trabalho. Iam os dois tranquilamente a conversar quando um carro lhes bateu violentamente. Resultado: um choque frontal, momentos de pânico e umas vértebras partidas.

Deviam faltar poucos minutos para as oito da manhã. Tinha acordado pouco antes. Estava com a cadela na rua, quando o telefone toca.

Era o meu pai, desesperado, a chorar e a gritar por ajuda. Não me respondia se estava ferido. Peguei no carro e voei até ao local do acidente. Cheguei antes dos bombeiros. Aparentemente estavam os dois bem. Só assustados.

Poucos minutos depois chegaram os bombeiros e a VMER que fizeram o seu trabalho de forma exímia. O meu pai e o meu tio acabaram por ser transportados para as urgências do hospital de Famalicão, onde o meu pai trabalha.

Ao longo das horas que lá passamos, enquanto esperávamos um diagnóstico, por lá passaram muitos colegas de trabalho para saber como ele estava.

Entretanto soubemos o diagnóstico. Vértebra L4 partida, colete vertebral durante uns meses e uma longa recuperação pela frente. O cenário era mau. Apesar disso a ortopedista disse que este não era dos piores cenários. Se a vértebra tivesse fraturado para o lado contrário, atingia a medula e o meu pai ficava paraplégico.

Depois de muitas visitas, – inclusive da família, que nunca falha – chegou uma senhora, de bata amarela que faz parte da equipa de voluntariado do hospital.

Olhou para o meu pai e parou. Observou-o atentamente e perguntou-me:

– Este senhor não trabalha aqui? Eu conheço-o! Eu respondi que sim e expliquei-lhe o que tinha acontecido.

Ela chega-se perto do meu pai, debruça-se sobre a maca e diz-lhe: (mais ou menos nestas palavras)

“Tenha fé meu senhor. Você vai ver que vai recuperar disto! Tem que ter paciência. Amanhã será um dia melhor… e sabe porque lhe digo isto? Porque há dez anos tive um problema muito grave no intestino. Estive praticamente a morrer. Um dia quando tive que fazer uma endoscopia, fui transportada por si da enfermaria para o maldito exame. Estava muito triste e desanimada. Queixei-me de frio, você prontamente me pôs um casaco pelas costas e disse-me: ‘Oh minha santa, tenha fé! Você vai ficar boa … e amanhã será um dia melhor…’. Hoje sou eu que lhe digo e lhe dou uma mensagem de esperança! Amanhã será um dia melhor…Nem sabe o quanto as suas palavras foram importantes para mim naquele momento. Nunca me esqueci da sua cara!”

Os meus olhos, os do meu pai e os daquela senhora encheram-se de lágrimas.

Agradecemos o gesto. Ela recusou o agradecimento. Disse que quem tinha que agradecer era ela por aquelas palavras naquele momento tão difícil.

Há dúvidas quanto à lei do retorno? Se dúvidas houvessem, para mim deixaram de existir.

Nós recebemos aquilo que damos. Ponto!

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Parabéns irmã!

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Faz hoje 19 anos que nasceu a minha irmã, a minha nini, a minha ninixas.

Chama-se Diana. Não é a de Gales mas é a minha princesa.

Passavam cinco minutos do meio dia quando a minha mãe pôs ao mundo a bebé mais linda que eu alguma vez vi. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Eu e o meu pai saímos do hospital pouco antes do meio-dia porque, segundo os médicos, o parto (cesariana) ainda ia demorar muito. Como o dia era especial, fomos almoçar fora. Quando voltamos disseram-nos que a nossa bebé já tinha nascido. (pouco depois de termos saído). Grrrr!

Quando chegamos, a minha mãe ainda estava no recobro… mas a nossa bebé já estava com as enfermeiras. Corremos para vê-la. Branquinha, carequinha e perfeitinha. Apaixonei-me imediatamente!

Segundo o meu pai, era para ser um Ricardo André mas houve alguma coisa que falhou no projeto… mas ainda bem! É tão bom ter uma irmã!

A Diana foi o melhor presente que os meus pais me deram. Com o nascimento da minha irmã aprendi a partilhar e o que era o amor incondicional.

Sinto-me uma sortuda por ter podido acompanhar a gravidez e o crescimento da Diana.

Tenho bem presente o crescimento da barriga da minha mãe, o nascimento e os primeiros tempos de vida da minha irmã… e acho isso o máximo!

Os primeiros meses foram complicados. As noites eram terríveis. “Abria aquelas goelas para trás e não havia quem a calasse”, como diz o pai Serafim. (Que muitas vezes desesperou perante o cenário de berreiro).

Adorava a maminha. A minha mãe amamentou até aos 18 meses.

A infância da minha mana foi muito feliz mas um pouco atribulada.  Por volta dos dois anos – creio – a minha irmã ficou completamente careca numa grande área da cabeça. Os comentários e as perguntas vinham de todo o lado. Uma senhora conseguiu convencer a minha mãe que a nini tinha um cancro, por isso é que o cabelo estava a cair. Ficamos em pânico, procuramos ajuda médica… e era apenas um tique nervoso. (que ainda hoje existe enquanto dorme).

A Diana enrolava o cabelo e os fios acabavam por partir. De dia para dia tinha cada vez menos cabelo. Depois, o cabelo tornou-se mais forte e já resiste 😀

Mais tarde, decidiu começar a gaguejar, outro filme cá em casa!

….

O feitio vincado nasceu com ela e ainda sobrevive!

Sempre foi muito vaidosa. Ainda mal falava mas já só vestia o que queria. Sempre se impôs! Para todo o lado que fosse tinha que ir nos trinques!

Um dia, decidiu fazer um corte de cabelo radical com uma tesoura que apanhou por aí… mas não se saiu muito bem…  (Segundo ela para ficar igual a um amigo da minha mãe que é calvo).

Hoje a minha bebé está uma mulher e há dias em que nem consigo acredito que tudo passou tão rápido.

Somos o aposto e acredito que seja esse o nosso equilíbrio. Apesar da nossa diferença de idades somos muito próximas, amigas e cúmplices. Ah, e as nossas batatadas já duram muito menos tempo. Estamos no bom caminho, certo?

Por ela vou ao fim do mundo.

Parabéns maninha, amo-te muito!

 

 

 

 

 

 

 

O cérebro dos nossos governantes também ardeu em Pedrógão?

pedrograo

Certamente!

Já é sabido que sou uma rapariga bem disposta mas tenho-vos a dizer que coisas destas me fazem ficar PROFUNDAMENTE mal disposta.

Prestes a fazer um ano da tragédia em Pedrógão Grande, o Jornal de Notícias foi à procura de um heróis do dia 17 de junho de 2017.

Rui Rosinha é um homem de 40 anos como tantos outros. Jovem. Valente. Altruísta. Salvou quem pôde e como pôde mas acabou por ficar gravemente ferido. O amor pelo próximo valeu-lhe quase três meses em coma, 14 operações, lesões que o irão acompanhar a vida toda e 85% de incapacidade.

Recebe 267 euros mensais de pensão de invalidez. Sim, duzentos e sessenta e sete euros! Não chega a metade um ordenado mínimo. Isto envergonha-me! Que país é este? O que andarão a fazer os nossos governantes? A dormir… é uma das hipóteses.

É esta a recompensa que damos a um homem que teve a bravura de lutar contra aquele monstro que devorou tudo por onde passou?  Morreram 64 pessoas. Não morreram mais porque apesar de todas as injustiças houveram homens e mulheres que honraram, uma vez mais, o título de “soldados da paz”.

Passou um ano, já ninguém se lembra do trabalho dos bombeiros. Já ninguém se lembra dos tantos “Ruis Rosinhas” que combateram quilómetros de fogo que pareciam não ter fim. Horas e dias a fio. Que protegeram o que puderam quando tudo falhou. Os meios, as comunicações, as orientações e sei lá eu que mais.

Toda a gente investiga o que correu mal. Toda a gente investe em sistemas de comunicação menos falíveis. Mas e meios para os bombeiros? Os bombeiros não têm dispositivos de combate adequados. NEM FARDAMENTO devido. E isto é muito muito grave.

Deixam as suas famílias. Arriscam a vida. Estão dias sem dar notícias a quem quer que seja. Protegem o que não é seu. Fazem trabalho voluntário. Comem massa com massa. [quando comem] E não têm sequer direito às ferramentas básicas de trabalho?

Enquanto assistimos a isto, todos os verões sem excepção, compramos submarinos e vemos uns quantos a meter uns milhões do Estado “para o esquerdo” sem que nada aconteça.

Até quando vamos pagar balúrdios e patrocinar viagens, carros topos de gama, motoristas, casas luxuosas à classe política deste país sabendo que quem esteve no terreno, quem lutou por nós, quem “deu o corpo ao manifesto” na hora da verdade vive com apenas 267 euros por mês?

 

 

 

 

 

 

Escrever.

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Gosto de escrever. De contar histórias. De escrever sobre aquilo que vivo, sobre aquilo que sinto, sobre as coisas que faço.

Escrever é para mim uma terapia. Nos dias mais cinzentos, ligo o computador e descarrego as minhas inquietações no teclado. 

A oralidade não é – nem nunca foi – o meu forte. A escrever consigo exprimir-me sempre melhor.

Não sei quando começou este gosto pela escrita mas creio que muito cedo.

Ainda na escola primária, ofereceram-me um diário. Comecei a escrever sobre os meus dias e as minhas preocupações. Era tudo top secret e devidamente fechado à chave! Escrevi diários desde aí e até à minha adolescência.

No início do secundário os meus pais ofereceram-me um computador. Lembro-me da surpresa que foi quando cheguei a casa e vi um computador novinho em folha em cima da minha secretária. Fiquei tão feliz!

Era um computador fixo, em tons de cinzento e com um monitor bastante moderno para a altura. Desde aí, comecei a escrever com mais regularidade. Fui escrevendo e guardando os ficheiros em pastas dentro de pastas. Guardando, acumulando e apagando aqueles textos que não queria que ninguém lesse de maneira nenhuma. [Hoje tenho pena de ter perdido alguns].

Nunca fui muito segura. Nunca achei que escrevesse assim tão bem.

Um dia, na faculdade, durante uma aula de voz confessei a uma terapeuta da fala que não tinha grande jeito para falar. Acabei por lhe confidenciar que escrevia muito mas que não tinha coragem de mostrar a ninguém. Depois de ver umas linhas escritas por mim, encorajou-me a pensar num blogue. O blogue chegou anos depois, mas chegou!

O blogue ajudou-me a ganhar mais confiança nesse aspecto porque fui tendo um feedback positivo. [Têm-me abordado de uma forma tão querida, tão simpática! Mas eu ainda fico meia corada de tão envergonhada)

Escrever acalma-me, ajuda-me a pensar melhor sobre as coisas, a relaxar.

Escrever dá-me prazer e enquanto assim for, escreverei. Se vos interessa o que escrevo, não sei. Mas enquanto me fizer bem contem com mais textos, mais desabafos e mais “cenas” desta rapariga bem disposta.

 

 

Escolher morrer.

viver depois de ti

Quem me conhece sabe que não sou propriamente uma amante de cinema. Acho sempre que os livros são melhores que os filmes. Mas às vezes lá vejo um ou outro.

Há uns tempos acabei por ver um. Pouco tempo depois revi-o.

O filme chama-se “Viver depois de ti” e é fenomenal. Envolvi-me tanto na história que chorei.  Emocionei-me de tal maneira que o nó na garganta só passou horas depois.

O filme conta a história de Will Traynor, um jovem super ativo, amante de desportos radiciais, que acaba por ter um acidente muito grave e que se vê preso a uma cadeira de rodas. [Sem qualquer hipótese de recuperação]

Uma vez que ele apenas mexe a cabeça e alguns dedos da mão, a família decide contratar alguém que lhe possa fazer companhia e o ajude nas necessidades básicas. A escolhida é Louisa Clark.

Louisa acaba de ficar desempregada e aceita o desafio… e que desafio! O jovem é arrogante, autoritário e maltrata a cuidadora em boa parte do filme. Louisa tenta aguentar já que precisa muito de trabalhar.

Depois de muita insistência por parte dela, Will rende-se e os dois desenvolvem uma amizade inspiradora que depressa passa a uma linda história de amor.

As dores de Will Traynor tornam-se cada dia mais insuportáveis. O plano dele é morrer. Quando Louisa percebe isso luta para lhe mostrar que ainda assim vale a pena viver. Mesmo assim ninguém o demove.

Apesar do país onde vive não o permitir, Will viaja para o estrangeiro e acaba por conseguir o que mais quer: a Eutanásia. Morre “feliz” ao lado dos pais e de Louisa.

Este filme obriga-nos a reflectir sobre questões muito sérias.

Nunca passei por uma situação-limite e não consigo dizer se sou contra ou a favor da Eutanásia mas até que ponto uma pessoa pode ser obrigada a viver agarrada a uma cadeira de rodas, totalmente dependente dos outros, e dominada pela dor?

Will vive dependente, desesperado de dor. Mesmo assim, apesar de ficção, nesta situação, eu não queria que ele morresse. Estarei a ser egoísta? Não sei. Talvez a maturidade e a experiência de vida me tragam respostas.

Sinto que a Eutanásia pode ser um erro incorregível, num mundo que tem tanta sede de conhecimento e que descobre coisas novas todos os dias. A cura pode não demorar a ser encontrada e isso corrói-me.

Só sei que a minha fé me faz acreditar que a esperança é a última a morrer. Mesmo assim não consigo ter uma opinião formada sobre este assunto pois é “uma faca de dois gumes”. Sou só eu?

Qual é a vossa opinião?

Amamentar em público

amamentacao

Há uns dias a revista Visão publicou esta fotografia que me tocou especialmente. A fotografia de uma mãe a amamentar o filho a meio de um exame de acesso à universidade.

A mãe chama-se Jahan Taab, tem 25 anos, é afegã e é uma mulher como nós. Tem um sonho. Como muitas de nós. Sonha estudar ciências sociais.

A meio da prova de acesso foi interrompida pelo filho de dois meses e meio. Jahan levantou-se da mesa onde estava sentada e teve uma atitude que surpreendeu toda a gente: sentou-se no chão, continuou a responder ao exame, enquanto alimentava o seu bebé.

O professor vigilante fotografou, publicou no Facebook com a descrição: “Uma criança nos braços, uma caneta na mão e um futuro cheio de medo mas também de esperança”.

Se isto se passasse num qualquer país ocidental a descrição provavelmente seria muito diferente.

Além disso, o bebé não estaria na sala. Era um impecilho. Depois colocar a maminha de fora para ALIMENTAR um bebé seria um escândalo e incomodaria muita gente. Na fotografia ninguém se parece importar.

Esta imagem devia ser esfregada na cara dos países ocidentais que se acham muito evoluídos e que depois acham “de mau tom”, um “atentado ao pudor”, um “ato exibicionista”, alimentar um bebé em público!

O leite materno é o alimento mais saudável que uma mãe pode dar a um filho. Está sempre pronto a servir e à temperatura ideal. Privar uma criança disto não é, no mínimo, diabólico? Ninguém tem a sensibilidade de perceber isto?

As campanhas a favor da amamentação multiplicam-se com o passar dos anos, os hospitais estão inundados de cartazes, muitos deles criaram bancos de leite materno… Mesmo assim há ainda quem se choque – em pleno ano 2018.

Lamentável!

 

A Páscoa no avô Eduardo

A casa do avô Eduardo é pequenina. É térrea, branca, com janelas e portas azuis. Nota-se muito que o patriarca é portista? [Há lá defeito pior?]

Naquela casa minúscula já viveram 14 pessoas. [A maior parte delas benfiquistas, felizmente!] Dez tios, o meu avô e a minha avó, o meu bisavô e a minha bisavó. Sentavam-se todos à mesa no tempo em que  “uma sardinha dava para dois”. O meu pai diz que nunca passou fome mas a “fartura não era nenhuma”.

Naquela casa havia um quarto para as raparigas e outro quarto para os rapazes. “Dormiam uns para os pés, outros para a cabeceira e tudo se criou”.

A casa do avô foi [e ainda é] um ninho de amor. Foi naquela casa que se criaram laços de amor que ainda hoje são evidentes. Basta vermos a união entre todos em dia de Páscoa.

O dia começa cedo. E cedo começa também o barulho, os beijinhos, as piadas. Somos todos muito bem dispostos e as gargalhadas são garantidas. Tudo isto com o volume no máximo! [Os vizinhos já se habituaram].

Os ganchinhos [alcunha da minha família] começam a chegar aos pouquinhos,  carregados de iguarias e prontos a montar a mesa de Páscoa.

A tia Laurinda não falha com as moelinhas, a tia Fátima traz as maravilhosas queijadinhas, o Nélson nunca se esquece do bolo e num instante temos a mesa composta! [Isto se o nosso Filipe não comer tudo antes do compasso chegar!)

[Para quem não sabe, o compasso pascal é um conjunto de pessoas que traz o crucifixo de Cristo a casa de quem O quiser receber, a fim de celebrar a sua Ressurreição. ]

Junto ao portão [também ele azul], com as crianças, fazemos o tapete de flores para que o compasso saiba que estamos dispostos a abrir a casa à Cruz de Jesus.

Quando ouvimos as campainhas mais perto é sinal que a Cruz está finalmente a chegar. É tempo de nos reunirmos na sala. Como somos muitos há toda uma estratégia. Os mais altos para trás, os mais baixos para a frente. Mesmo todos encaixadinhos e encostadinhos… há sempre quem fique na rua. Afinal somos sempre para cima de 40.

Em tempos era o avô Eduardo quem pegava na Cruz e nos dava a beijar, agora no alto dos seus [quase] 90 anos já passou a pasta.

Cumprimentamos os senhores do compasso,  conversámos um bocadinho com eles, a Daniela pede-lhes “um santinho” e mal eles viram costas…é hora de atacar!

Mesa para a rua. Panela das moelinhas para cima da mesa et voi la!

Depois da barriga cheia é hora da típica foto de família. Disparo automático e smile! 🙂

Depois disso estamos prontos para cumprir mais uma tradição: caminhar até à capela de Santa Maria Madalena.

A minha Páscoa não é só feita de amêndoas e ovos. A minha Páscoa é feita de amor,  tradições, gargalhadas e de muitos beijinhos.

Uma santa e feliz Páscoa para todos. A minha com certeza que será muito feliz!